Mateus 6.25-34 - "Porque preocupar-se tanto?"

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Transcript

Mateus 6.25-34

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Introdução
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OBSERVAÇÕES DO TEXTO
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v.25-29:
25 — Por isso, digo a vocês: não se preocupem com a sua vida, quanto ao que irão comer ou beber; nem com o corpo, quanto ao que irão vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e não é o corpo mais do que as roupas? 26 Observem as aves do céu, que não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros. No entanto, o Pai de vocês, que está no céu, as sustenta. Será que vocês não valem muito mais do que as aves? 27 Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? 28 — E por que se preocupam com o que vão vestir? Observem como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. 29 Eu, porém, afirmo a vocês que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.”
A palavra “portanto” (por isso, NAA) mostra que existe uma conexão com o precedente. Com base no que já foi expresso e em conexão com o que será expresso, provavelmente o sentido seja o seguinte: uma vez que os tesouros terrenos e transitórios não satisfazem, descansar o coração neles implica dispensar os deleites perenes do céu (v. 19–21).
Visto que o anseio pelas riquezas terrenas ofusca a visão mental e moral (v. 22, 23) e, finalmente, em virtude da escolha que se deve fazer entre Deus e Mamon (v. 24), não prossigais pondo o vosso coração em Mamon, ou seja, nas coisas terrenas, tais como comida e bebida, para manter-vos vivos, ou na vestimenta, para manter-vos vestidos.
E depois de tudo, é o vosso Pai celestial quem vos deu a vida e o corpo, e será ele quem vos há de sustentar. Quem vos muniu do maior, ou seja, vida e corpo, não vos fornecerá também o menor, ou seja, comida, bebida e roupa?
Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa? Então, por que confundir as prioridades?
“Não fiqueis ansiosos”, diz Jesus. Uma vez que aqui se usa o imperativo presente, o significado parece ser: “Não tenhais esse mau hábito”. Contudo, também pode ser: “Se já caístes nisto, então desfazei esse hábito: deixai de preocupar-vos”.
Compare-se com o v. 31, onde a exortação é: “Não fiqueis preocupados”. A palavra usada no original para ficar ansioso [preocupar-se] significa distraído, como, por exemplo, Marta, cuja atenção estava dividida a tal ponto que ela, por um momento, se esqueceu de “uma coisa necessária” (Lc 10.38–42; note-se o v. 41: “andas inquieta e te preocupas com muitas coisas”.)
Uma das razões para evitar-se a ansiedade é que ela é irracional (ver Mat. 6.19–34, alínea d.). Veja o que Jesus acabara de advertir (v. 25) sobre preocupar-se indevidamente com os meios de manutenção da vida, ou seja, comida e bebida. E assim, apontando para o alto, talvez para um bando de pássaros, ele prossegue no v.26.
O céu palestino e o de outros países vizinhos estão sempre cheios de pássaros. A Escritura menciona muitos deles. No pequeno espaço de sete versículos (Lv 11.13–19) são mencionados não menos de vinte espécies. Na antiga dispensação todos os pássaros citados em Levítico, eram considerados “impuros”.
Eles poderiam aprender muito somente olhando para as diversas aves que já foram citadas na Lei de Deus e que Cristo faz menção aqui.
Mas o que Jesus realmente está dizendo aqui?
O que Jesus está dizendo aqui é que as aves do ar não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros, contudo são alimentadas e conservadas vivas pelo Criador. Entrementes, essa passagem não deve ser mal interpretada como se estivesse estimulando a ociosidade.
Seria este o caso? Claro que não. O Senhor sabia muito bem que seus ouvintes estavam conscientes do fato de que as aves adultas de forma alguma são indolentes. Elas lutam pela vida. Não ficam quietas em algum galho de árvore à espera que algum alimento lhes caia no bico.
Elas vivem muito ocupadas. Recolhem insetos e vermes, prepararam seus ninhos, cuidam de seus filhotes e os ensinam a voar.
Mas e os homens? Já com os homens a história é diferente. São eles, não as aves, que não só semeiam, colhem e ajuntam em depósitos, mas também que, enquanto se envolvem em tudo isso, amiúde são dominados por terríveis pressentimentos, ignorando em grande escala as promessas de Cristo.
Enquanto as aves vivem “despreocupadamente”, os homens são dominados pela aflição.
Escute o interessante comentário de Hendriksen:
“O argumento de Cristo – do menor para o maior, contraste-se com o v. 25 – equivale ao seguinte: se as aves, que não podem, em qualquer sentido real, fazer planos para o futuro, não têm razão de preocupar-se, muito menos vós, meus seguidores, dotados de inteligência, de modo que podeis pensar no futuro, não devíeis ser dominados por ansiedade. Além disso, se Deus faz provisão mesmo para essas criaturas inferiores, quanto mais não terá ele cuidado de vós, que fostes criados à sua própria imagem! E mais especialmente, se aquele que as alimenta é “o vosso Pai celestial”, porém para com elas é apenas o seu Criador, então quão completamente irracional é a vossa ansiedade. “Vós sois de muito mais valor do que elas, não é verdade?”, pergunta o Senhor de uma forma que no original pressupõe uma resposta unicamente afirmativa.”
No v.27, em seguida, Jesus pergunta: “Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?”
O vocábulo traduzido aqui por côvado pode referir-se à idade, altura ou à estatura. O que nos lembra a estatura de Zaqueu (Lc 19.3), tanto como Sara tinha passado da idade em que podia conceber (Hb 11.11). Tal qual o cego de nascença, curado por Cristo, atingira a idade de maturidade legal (Jo 9.21, 23).
Qual seria o real significado do que Cristo apresenta aqui? O verdadeiro significado é este: “Quem, dentre vós, por mais preocupado que esteja, pode alongar a extensão de sua vida por um pouco que seja?”
A partir do v.28 o Senhor Jesus usa outro exemplo da natureza. Ele traz os lírios para ilustrar o que os ouvintes logo aprenderiam.
Na ARA está escrito: “Considerai os lírios do campo...” Considerai — ou seja, observai cuidadosamente, estudai detidamente — “os lírios do campo”, diz Jesus, enquanto pergunta aos seus ouvintes: “Por que ficar ansioso pela roupa?” Algumas pessoas ao estudarem este texto se apegam a detalhes não tão importantes aqui, como por exemplo o tipo de flor. Bom, não há como precisar.
Mas sabe o que é mais provável? Resposta: Que Jesus, em vez de referir-se a algum tipo particular de flor, estivesse pensando em todas as lindas flores que vicejavam e aumentavam o esplendor da paisagem nessa época do ano.
“Observem como crescem”, segundo o contexto, deve significar: sem qualquer trabalho de sua parte, sem receberem qualquer cuidado da parte de algum ser humano. Ou até mesmo fiarem alguma vestimenta para si. Nem Salomão em toda sua glória chegaria aos seus pés.
Perceba como “o vestuário mais fino de Salomão, na melhor das hipóteses, era apenas uma imitação e um derivado do que na natureza vem das mãos do Criador.” É realmente como alguém já disse: “A beleza prístina não pode ser igualada.”
O Senhor Jesus usa de ilustrações na criação, para do v.30-34 tratar direto com o coração daqueles que o rodeavam ali. Diante do que eles já haviam escutado antes.
“30 Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não fará muito mais por vocês, homens de pequena fé? 31 Portanto, não se preocupem, dizendo: 'Que comeremos?', 'Que beberemos?' ou 'Com que nos vestiremos?' 32 Porque os gentios é que procuram todas estas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de todas elas. 33 Mas busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas. 34 — Portanto, não se preocupem com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.”
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